As cotações na BM&F sofreram uma fortíssima queda nos últimos dias. Partimos de cotações em R$ 128,00/@ para o contrato de outubro no dia 13/06 para o atual limite de baixa em R$ 118,65/@.

Quase toda a volatilidade se atribui à situação delicada de JBS, responsável hoje por 25% da produção de carne do país.

O fato é que o cenário já era complicado desde o final do ano passado, quando as cotações caíam ininterruptamente, porém em um ritmo muito mais brando.

As incertezas e temores relativos à Operação Carne Fraca, ao retorno da cobrança do Funrural e da delação de Joesley Batista complicaram muito o cenário para a colocação de animais no confinamento, especialmente para agricultores que pensavam em investir na atividade devido ao baixo preço do milho.

O fato é que isso já reflete negativamente no total de animais confinados em 2017 e pode enfraquecer a oferta de carne no segundo semestre, possivelmente aquecendo as cotações dentro de um cenário de mercado mais estabilizado.

O que há hoje é uma distorção fortíssima decorrente do nível de incertezas gerado por uma situação ampla e sem precedentes.

Estatisticamente, entre o preço mínimo do ano e o preço máximo, a alta média em fases de baixa de ciclo pecuário fica em 23%, o que levaria o boi a R$ 157,00/@ em outubro. Esse cenário, entretanto, segue muito distante da realidade que temos hoje, especialmente em se considerando as incertezas causadas pela crise que ignora o mercado e foca apenas em fatos políticos. Uma crise que complica sobremaneira a análise de mercado e a previsibilidade das operações pecuárias.

Considerando que a alta média entre safra e entressafra foi de 3,3% nos últimos 5 anos, isso levaria o boi de outubro a R$ 132,00/@ nos balcões dos frigoríficos. Isso significa que hoje temos um boi 10% mais baixo do que dita a lógica de mercado considerando preços médios.

Ocorre que o mercado já não é racional.

Esse é o tamanho da distorção causada por políticas econômicas inventadas por um governo populista que visa poder a todo custo. Distorção essa que recai diretamente no bolso de quem participa do setor, sem falar de todo o prejuízo à sociedade.

O custo com opções está altíssimo devido à alta volatilidade e incerteza com que o mercado tem trabalhado, o que piora o resultado para quem quer proteger agora. Ainda assim, é aconselhável fazê-lo.

Entretanto, caso JBS sobreviva ao maremoto até o fim do ano e sem grandes sequelas sobre as exportações, poderemos verificar a necessidade de carne para abastecer o mercado externo e interno, voltando a trabalhar em níveis razoáveis de variação de preços e sem todo o desespero que temos observado atualmente.

Por Lygia Pimentel