O Brasil pode produzir 8 bilhões de litros de etanol à base de milho na temporada 2027/28, dez vezes mais do que em 2017/18. A projeção foi mostrada há pouco na última apresentação da Novacana Ethanol Conference pelo presidente do conselho da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Henrique Ubrig. Ele considerou a projeção conservadora: “Se o Brasil tiver 40 bilhões de litros de etanol em 2027/28, é realista que 8 bilhões sejam de milho”, afirmou ele. Nesse caso, seriam usados 20 milhões de toneladas de milho para produzir os 8 bilhões de litros.
Segundo o Ubrig, já há “uma série de investimentos ainda não públicos” para produção de etanol de milho, que estariam sendo discutidos e elaborados para anúncio em breve.
Por causa das novas formas de utilização de milho, como produção de etanol, o cereal, que vinha sendo considerado “patinho feio da agricultura brasileira”, segundo o executivo, está ganhando mais entusiasmo do produtor. “Vai dar tanto dinheiro quanto a soja, senão mais”, disse Ubrig. Também na estimativa da Unem, a produção brasileira de DDG – sigla em inglês para grãos secos de destilaria – de milho, usado na nutrição animal, poderia saltar de 600 mil toneladas em 2018 para 2,6 milhões de toneladas em 2020 e 6 milhões de toneladas em 2028.
Os desafios, para ele, são logística e fornecimento de biomassa para gerar vapor. Esse último problema, segundo ele, terá de ser resolvido no longo prazo com plantações de eucalipto próximas das indústrias de etanol. “Cada usina vai precisar de 5 mil a 7 mil hectares por ano. No total, falamos de cerca de 100 mil hectares, podendo chegar a 200 mil hectares.” O desenvolvimento da cultura, entretanto, levaria tempo, e até lá algodão ou bambu poderiam ser opções.
O presidente institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Sérgio Luiz Bortolozzo, que também fez uma palestra, destacou a oportunidade de se fazerem mais usinas flex – que produzem etanol à base de cana e de milho – no Sudeste do País, sem que a produção fique totalmente concentrada em Mato Grosso. “O maior consumo de etanol é no Sudeste, então facilitaria o escoamento da produção. Maior centro de consumo de proteína é no Sudeste, então facilitaria a venda do DDG. Existem vantagens imensas”, afirmou. (AE)