Gustavo Machado é consultor de mercado pela Agrifatto
Caroline Matos é trainee pela Agrifatto
A crise de proteína animal ocasionada pela PSA (peste suína africana) na China, dizimou metade do plantel suíno, expandindo o apetite chinês por proteínas. Esse cenário fez com que a China importasse 25% de toda a carne bovina brasileira enviada ao exterior em 2019, ultrapassando Hong Kong nas compras mensais a partir de ago/19 (gráfico 1).
Os maiores volumes de compras chineses concentraram-se no 2º semestre, especialmente em novembro e dezembro, quando 45% das exportações totais de carne bovina foi enviada para a China (foram 83 milhões de toneladas) – esse forte apetite chinês foi crucial para a arroba alcançar as máximas em R$ 230,00 nas praças paulistas.
No total, em 2019, foram importadas aproximadamente 500 mil toneladas de proteína bovina pela China.
Gráfico 1. Exportações totais de carne bovina entre jan/19 e jan/20.
Fonte: Secex/Agrifatto.
Mas no início deste ano, as exportações totais recuaram 23%, passando de 186 para 143 mil toneladas. A redução dos volumes totais se deu pela menor participação chinesa nos embarques, o gigante asiático importou 53 mil toneladas no primeiro mês deste ano, equivalente a 37% dos envios de carne bovina (a sua participação caiu 8% na comparação mensal).
Na esteira, a arroba também desacelerou e perdeu o seu suporte em R$ 200,00 no início deste ano, chegando a ser negociada a R$ 185 e 190/@ em São Paulo.
Vale destacar que apesar do recuo, a China não desapareceu das compras, seu desempenho ainda está 126% maior quando comparamos com as suas importações em janeiro de 2019.
A menor participação da China no início deste ano está bastante relacionada com o período de festividades pelo seu Ano Novo Lunar, mas o agravante recente fica para o surto do Coronavírus, já que um dos desdobramentos possíveis é uma retomada tardia das suas importações.
Resultado imediato fica para maior congestionamento nos portos, a princípio pelo feriado do Ano Novo chinês, impossibilitando que os navios descarregassem no início do ano, mas agravado pela menor mão-de-obra disponível nos portos – comprometendo toda a operação de fiscalização, logística e controle.