Análise semanal sobre o mercado pecuário
Marco Guimarães é administrador pela ESALQ/USP e trainee pela Agrifatto
Resumo da semana:
A arroba seguiu estável ao longo da última semana (recuo médio de 0,01%), principalmente pela necessidade das indústrias em originar um volume maior de animais pelo consumo sazonalmente mais aquecido.
As escalas de abate continuam alongadas e, na média da última semana, atendem 7,5 dias. Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, as programações fecharam a última semana acima de 8,0 dias.
A demanda interna de carne bovina, impulsionada pelo período do mês e feriado de Dia das Mães, não foi suficiente para aumentar consideravelmente as cotações no atacado.
Já as exportações de carne bovina in natura caminham em bom ritmo e registram um avanço de 14,7% no consolidado dos 4 (quatro) primeiros meses de 2019.
A média semanal do indicador do boi gordo (Esalq/B3) fechou em R$ 152,26/@, queda de 1,27% quando comparada à semana anterior.
- Na tela da B3
Os contratos futuros de maior liquidez caminharam em sentidos opostos, aumentando o spread (sua diferença) na última semana.
O vencimento para maio/19, que recuou 0,29% no comparativo semanal e fechou a última sexta-feira (10) em R$ 152,30/@. Desde o início de 2019, esse contrato acumula avanço de 0,53%.
Já o contrato futuro para outubro/19 avançou 0,31% no mesmo comparativo e fechou em R$ 159,30/@. Neste ano, registra alta acumulada de 1,59%.
Nesse cenário, o spread entre os vencimentos maio/19 e outubro/19 se ampliou, chegando aos maiores patamares de 2019. Na última semana, a diferença média entre os contratos foi de 4,28% (ou R$ 6,50/@).
- Enquanto isso, no atacado…
As carnes do atacado seguem trajetória de recuperação de preços na primeira metade de maio.
Após atingir a mínima em 30 dias, cotada em R$ 10,42/kg do dia 06/maio, a carcaça casada bovina avançou 0,77% ao longo da semana passada, fechando em R$ 10,50/kg.
A carcaça suína especial está cotada em R$ 6,45/kg e acumula avanço de 1,74, e 2,46% no comparativo semanal e mensal, respectivamente.
Já o quilo do frango resfriado avançou 0,84% no comparativo semanal e está cotado em R$ 4,83. Em 2019, acumula valorização de 13,51%.
As proteínas no atacado devem se manter firmes ao longo da semana, mas a partir da próxima poderão perder essa firmeza pela aproximação do período de menor escoamento de carnes no atacado.
Conforme previsto, o spread (diferença de preços entre a carne bovina no atacado e a arroba do boi gordo) segue acima de 2%, e na média da última semana, ficou em 2,94%.
Os patamares que o spread tem trabalhado são motivados pela queda da arroba em maior intensidade que o recuo semanal da carne bovina do atacado.
- No mercado externo
As exportações de carne bovina in natura referentes aos 4 (quatro) primeiros meses de 2019 contabilizaram um volume total de 446,21 mil toneladas e uma receita de US$ 1,674 bilhão de reais.
Quando comparado com o mesmo período de 2018, registra alta de 14,67% do volume e de 5,92% para a receita obtida com os embarques. Há expectativa de volume recorde para as exportações de carne bovina neste ano.
Para a carne suína, as exportações in natura entre janeiro e abril acumularam um volume total de 186,17 mil toneladas e um faturamento de US$ 381,96 milhões. Ante o mesmo período do ano passado, o volume e a receita avançaram 11,57% e 7,65%, respectivamente.
Já os embarques de carne de frango in natura dos 4 primeiros meses acumularam 1,183 milhão toneladas e uma receita de US$ 1,880 bilhão.
Quando comparado com o mesmo período do ano passado, o volume caiu 0,2% e o faturamento subiu 3,4%.
Para mais detalhes sobre as exportações de carne bovina no primeiro bimestre de 2019 e perspectivas para este ano basta clicar aqui.
- O destaque:
Os diferenciais de base, que haviam se alongado em abril pelos preços mais altos da arroba em São Paulo, têm se corrigido ao longo de maio nas principais praças pecuárias.
A arroba do boi gordo no Mato Grosso, na média de abril, ficou 13,3% menor que em São Paulo. Já na parcial deste mês, a diferença ficou menor, com média em -11,9%.
No Mato Grosso do Sul aconteceu o mesmo movimento, com o diferencial passando de -9,5 para -7,9% no mesmo período.
A exceção fica para Goiás, que passou por ajustes mais severos das cotações da arroba em abril. Na mesma comparação (abril e maio), o diferencial passou de 9,2 para 9,6%.
- E o que está no radar?
A vacinação em maio, o descarte de fêmeas vazias e a proximidade com o período seco e frio devem aumentar a oferta de animais nas próximas semanas.
Além disso, as escalas de abate alongadas facilitam a negociação de animais terminados pelos frigoríficos, aumentando seu poder de barganha sobre o pecuarista.
Nessa perspectiva, a arroba deve continuar pressionada negativamente, pelo menos até o final de maio. Entretanto, a demora da chegada do frio pode diluir as entregas transicionais de animais para o período safra/entressafra.
Um abraço e até a próxima semana!