Caroline Matos é graduanda em zootecnia pela USP e estagiária pela Agrifatto
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou, no início desta semana, o seu novo levantamento de animais sacrificados devido à contaminação com o vírus da peste suína africana (PSA) na Ásia.
A estimativa é de que aproximadamente 6,7 milhões animais já tenham sido sacrificados desde o início do surto de PSA no continente asiático. O número representa uma expansão de 6,59% dos abates em relação ao levantamento anterior, divulgado no dia 03/out.
A OIE (Organização Mundial da Saúde Animal) estima que haja pelo menos 6 mil casos concentrados no Vietnã. No total são aproximadamente 9,4 mil casos identificados em andamento – levando em consideração todos os países contaminados. Entre 27/set e 10/out, 507 novos focos da doença foram notificados, 330 deles na Europa.
Na Europa, foram notificados focos de PSA em andamento na Bulgária, Eslováquia, Hungria, Letônia, Moldávia, Polônia, Romênia, Rússia, Sérvia e Ucrânia. Já na Ásia há casos identificados no Camboja, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Filipinas, Laos, Mianmar, Mongólia, Rússia, Timor Leste e Vietnã. Na África, casos já foram detectados na África do Sul, Costa do Marfim, Quênia e Zimbábue.
Mapa 1.
Países da África, Ásia e Europa com surtos ou focos de PSA em andamento.

Fonte: FAO – Adaptado pela Agrifatto.
Enquanto isso, na China, os preços da carne suína no varejo já subiram 98,5% na comparação anual (entre outubro de 2018 e o mesmo mês deste ano). O plantel chinês já caiu 41% segundo o informe divulgado pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.
No gigante asiático, desde a identificação do surto em agosto do ano passado, 1,17 milhão de suínos já foram abatidos, segundo os dados do governo Chinês.
Com relação à expectativa de exportações no próximo ano, o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgado na última semana, prevê que as exportações globais de carne bovina em 2020 tenham alta de aproximadamente 4%, com recordes de embarques do Brasil, Índia, Estados Unidos e Argentina.
Ainda neste mesmo relatório, o Brasil pode embarcar 2,6 milhões de toneladas em 2020 (alta de 15,5% em relação a projeção para os envios deste ano, em 2,25 milhões de toneladas), impulsionado principalmente pela alta demanda chinesa de proteína bovina.
Quanto a produção global, o USDA estima que haverá crescimento de 1% em 2020, levando a produção de 61,9 milhões de toneladas de carne bovina.
Portanto, o boletim aponta para uma demanda avançando em maior intensidade do que a capacidade de produção mundial de carne bovina, o que deve manter os preços internacionais desta proteína em patamares elevados na próxima temporada.