As exportações brasileiras de carne bovina in natura estão aquecidas neste início de ano e devem contribuir para segurar os preços da arroba do boi gordo no mercado físico. Analistas do setor esperam por um esfriamento do consumo doméstico após as festas, o que deve pressionar as cotações. No entanto, os embarques do produto ao exterior mantêm o ritmo. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), divulgados ontem, mostram que a média diária de embarques da proteína atingiu 6,4 mil toneladas nos três primeiros dias úteis de 2019, aumento de 1,6% em relação à média de 6,3 mil toneladas registrada em dezembro. Ante janeiro de 2018, quando este volume diário foi de 4,5 mil toneladas, o avanço é de 42%.
A consultoria Agrifatto destaca a perspectiva positiva para os embarques do produto em 2019. Cita a retomada das compras da Rússia, que anunciou em novembro o fim do embargo às carnes bovina e suína do Brasil, e o estreitamento nas relações com o governo chileno. O país latino proibiu e importação da proteína depois do surgimento de caso de febre aftosa no Paraguai, mas em dezembro autorizou todo o Estado de Mato Grosso do Sul a exportar carne bovina aos chilenos. Os analistas Marco Guimarães e Gustavo Machado, da Agrifatto, só ressalvam que a possível mudança da embaixada em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, estudada pelo presidente Jair Bolsonaro, pode afetar as relações com o mundo árabe. “É preciso ter cautela, pois o Brasil exporta (carne bovina) para 17 países árabes, que representam 20,9% do total embarcado”, diz Guimarães.
Segundo ele, a amostra das exportações da primeira semana de 2019 ainda é pequena, mas indica bom ritmo e, se a média diária de 6,4 mil toneladas for mantida, é possível ultrapassar 140 mil toneladas em janeiro e isso ajudará a sustentar os preços da arroba. “Poucos negócios foram fechados nestes dias, o que dificulta enxergar as tendências com clareza. A oferta de boiadas prontas para abate será determinante para definir as cotações da arroba”, explica. Conforme a Agrifatto, o Estado de São Paulo tem arroba a R$ 152,50 à vista, e as programações de abate atendem cerca de seis dias úteis.
Ontem, a Scot Consultoria manteve a indicação estável para as praças de Barretos e Araçatuba, em São Paulo, a R$ 150 por arroba à vista e R$ 151 a prazo. Em outras praças do País, as propostas de compra superam a referência ou caem abaixo desse nível a depender do volume de gado disponível e da necessidade de compras da indústria. “Frigoríficos ainda estão aguardando para ver qual será o ritmo de escoamento de carne no atacado para definir as estratégias de aquisição de matéria-prima ao longo de janeiro”, acrescenta o analista da Agrifatto. Na apuração da Scot, o corte traseiro capão já registra recuo de preços no atacado paulista, a R$ 13,50 por quilo.
Ontem, o valor à vista do indicador do boi gordo Esalq/BM&F ficou em R$ 152,70/arroba (-1,29%). A prazo, a cotação ficou em R$ 154,23/arroba (-0,39%).
Na B3, o contrato com vencimento em janeiro, o mais negociado, terminou a R$ 152,60 ontem, alta de R$ 0,05 ante a véspera. O segundo contrato mais negociado, previsto para maio, teve avanço de R$ 0,15/arroba, a R$ 151,85.
Ano fechado – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) confirmou nesta segunda-feira que em 2018 foram embarcadas 1,64 milhão de toneladas do produto in natura e processado, alta de 11% ante 2017. O resultado representa um recorde e consolida o País como o principal exportador mundial do segmento. Em receita, o valor alcançou US$ 6,57 bilhões, crescimento de 7,9% frente ao resultado de 2017.
Hong Kong e China se revezam como os maiores destinos da carne bovina brasileira ao longo do ano passado. Em volume, Hong Kong liderou com 24% do total embarcado pelo Brasil, somando quase 395 mil toneladas. Já a China foi o maior destino em faturamento, ao representar 22,63% do total, com US$ 1,49 bilhão. Outros mercados em destaque são União Europeia, Chile e Emirados Árabes. (AE)