Yago Travagini é economista e consultor de mercado pela Agrifatto

Stefan Podsclan é engenheiro agrícola e consultor de mercado pela Agrifatto

 

O número de vendas líquidas de carne bovina dos EUA, aumentaram significativamente nesses últimos dias.  Durante a segunda e terceira semana de maio/21 o país norte-americano registrou um incremento de 29% nas vendas líquidas semanais de carne bovina para outros países. Essa evolução acontece ao mesmo tempo em que os fatos ficaram mais quentes aqui pela américa do sul.

Com a Argentina impondo uma barreira de venda externa para a sua carne bovina, cerca de 7,5% do comércio global de proteína bovina fica “interrompido” durante um mês e com isso a busca por alternativas já começou a acontecer, e os EUA já surfa nesta onda. As vendas líquidas da proteína bovina norte-americana para a China, que detinha na Argentina seu segundo principal fornecedor, aumentaram 197% em comparação com o que vinha sendo registrado durante o ano de 2021.

Somente nas duas últimas semanas, os EUA venderam 18,20 mil toneladas de proteína bovina para a China. Antes dessas duas semanas, os EUA demoravam em média de quatro a sete semanas para conseguir vender 18 mil toneladas de proteína bovina à China. Agora, sem a Argentina, os EUA é um dos principais fornecedores em potencial que o gigante asiático ainda não explorava.

Historicamente, a China importa mais durante o segundo semestre do ano, o que deixa indício de que as compras poderão aumentar ainda mais nos próximos meses. O Brasil precisará ficar atento, caso queira “surfar” neste vácuo deixado pela Argentina.

Agrifatto