A demanda externa aquecida, sobretudo da China, ajudou a indústria brasileira de carne bovina a compensar a forte valorização do boi gordo, matéria-prima responsável por 80% do custo de produção dos frigoríficos, no terceiro trimestre. Os resultados do período serão divulgados pelas principais empresas do setor — JBS, Marfrig e Minerva Foods — em meados de novembro.

Dados preliminares do Ministério da Agricultura compilados pela Minerva mostram que, no terceiro trimestre, os abates de bovinos em plantas fiscalizadas pelo Sistema de Inspeção Federal (SIF) somaram 5,78 milhões de cabeças, o que representa uma diminuição de 10% ante igual período do ano passado. Parte da queda se deve à maior concentração de abates no terceiro trimestre de 2018, devido ao “represamento” gerado pela greve dos caminhoneiros, que aconteceu em maio.

De qualquer forma, a menor oferta de gado se traduziu em preços. Conforme o indicador Esalq/B3 para o boi gordo no Estado de São Paulo — referência para o restante do país —, o preço médio do animal pronto para o abate alcançou R$ 155,2 por arroba no terceiro trimestre, valorização de 6,9% na comparação anual.

Na avaliação de Lygia Pimentel, diretora da consultoria de pecuária Agrifatto, a oferta de boi gordo tende a ser mais restrita devido à inversão do ciclo pecuário. Depois de uma fase de maior abate de vacas, os pecuaristas devem reter as fêmeas para estimular o rebanho.
Nesse cenário, os frigoríficos terão de pagar mais caro pelo gado também em 2020, avaliou a analista. Pelas projeções da Agrifatto, os preços do boi gordo alcançarão os R$ 195 por arroba em outubro do ano que vem. Trata-se de uma valorização de 15% na comparação com o atual patamar de preços. Na última sexta-feira, o indicador Esalq/B3 estava em R$ 169,55 por arroba. (Valor)