A Bolsa de Valores e o ouro foram as duas aplicações com maiores retornos neste ano até agosto. Em compensação, também são os ativos que, somados ao dólar, têm maior exposição ao risco internacional, principal foco de atenção dos próximos meses.
“No segmento de renda fixa, as aplicações atreladas à Selic ou ao CDI, como títulos do Tesouro, CDBs [Certificados de Depósito Bancário] e a própria poupança já sentiram os impactos da redução dos juros. Isso também tem aumentado a busca por ativos mais arriscados”, disse o coordenador de cursos da Faculdade Fipecafi Valdir Domeneghetti.
“Mas a questão da guerra comercial entre China e Estados Unidos e a possibilidade de uma desaceleração na economia mundial são fatores de riscos que continuam trazendo volatilidade no mercado e pesando nas aplicações”, complementa o professor.
Na última sexta-feira, por exemplo, o Boletim de Risco divulgado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontou um aumento do apetite ao risco no mês, direcionado principalmente pelo movimento de queda nos spreads entre os títulos soberanos brasileiros em dólar e os títulos norte-americanos.
Entre as demais aplicações financeiras, o dólar registrou um retorno de 9,92% no mês, enquanto o euro mostrou alta de 9,08% e a poupança teve ganho líquido de 0,34% até o último dia 29. Os fundos DI demonstraram rendimento bruto na faixa de 0,43% a 0,53%, já os de renda fixa ficaram na média de 0,41% a 0,51%. Os títulos indexados à inflação ficaram entre 0,25% e 0,35% e os CDBs, na faixa de 0,40% a 0,50%.
No ano até agosto, por sua vez, o dólar registrou valorização de 6,80%, enquanto o euro marcou alta de 4,06%. Os fundos DI tiveram uma alta de 4,10% e os de renda fixa subiram 4,08%. Os títulos indexados à inflação apontaram aumento de 4,48% e os CDBs tiveram avanço de 3,95%.
Vale lembrar que a média da rentabilidade das aplicações pode depender de prazos, riscos, tributação e também de taxas de administração possivelmente cobradas.
Atritos
Em relação às expectativas para os próximos meses, os especialistas consultados pelo DCI ponderam que mesmo com grande parte do cenário doméstico e internacional já antecipado pelo mercado, o movimento de migração para renda variável e de valorização da Bolsa de Valores também deve se estender.
“Em termos de investimentos mais conservadores, a continuação da queda da Selic por aqui intensificará a busca por diversificação de carteiras. Talvez alguns fundos mais conservadores comecem a ganhar força”, avalia Domeneghetti.
Já para o administrador de investimentos Fabio Colombo, a economia doméstica já começa a ter uma equação mais positiva, mas a evolução das aplicações financeiras ainda é bastante dependente do desenrolar dos acontecimentos.
“Internamente, os fatores de aprovação da Previdência, reforma tributária, inflação e juros estão direcionados para um ambiente mais positivo”, comentou o especialista.
Ele reforça, porém, que tanto a guerra comercial entre Estados Unidos e China como também os possíveis atritos com os países do G7 por conta da queimada da Amazônia ainda merecem atenção. “Ambas são situações que podem interferir nas nossas exportações e balança comercial. Mas os ativos devem seguir a linha que temos visto”, conclui.